Um café e cultura de food safety por favor!

Sou o tipo de pessoa que adora prestigiar o comércio local. Acho importante para a sustentabilidade econômica do entorno e ainda para garantir um bairro cheio de gente movimentada pela oferta de diferentes produtos e serviços. Confesso que as ruas do bairro ficam bem mais alegres assim!

Hoje voltando da minha terapia, avistei uma graciosa padaria, nunca tinha visto antes, então sedenta por tomar aquele café de todos os dias, aliei o útil ao agradável! Quem me conhece sabe que eu adoro uma padaria!

Sentei e logo pedi meu café com um “italiano”, como é conhecido um pãozinho assado com queijo e presunto aqui na minha cidade. Enquanto aguardava, eis que os olhos da profissão entraram em ação, mesmo que sem querer. E aí começa a história. Trata-se da entrega dos frios.

O entregador despeja os itens diretamente no chão. A responsável pelo recebimento, senta-se e com ar de superioridade começa a conferência. Lê o pedido em confronto com a nota fiscal, enquanto o entregador fita os olhos nas caixas e quando localiza o produto, com seus pés protegidos por uma desgastada bota de segurança dá um leve chute na caixa dizendo que o produto estava entregue. E assim foi toda conferência, com um chutinho aqui outro ali.

Fiquei um tempo ali juntos com as caixas tomando meu café. Funcionários passavam pra lá e pra cá, e elas continuavam estocadas na loja, resfriadas e abandonadas naquela parte do piso. Um deles tropeçou, mas não se sensibilizou. Observei as expressões e olhares, e de fato, não havia pressa ou qualquer necessidade de priorização do recolhimento daqueles produtos. Notei que lidavam com aquela situação com muita naturalidade. A minha presença, como cliente e consumidora não os intimidava.

Suspirei, é claro! Vi todo um trabalho dedicado de controle de qualidade e da segurança dos alimentos que a indústria faz sendo desperdiçado pelos elos procedentes da cadeia produtiva de alimentos.

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Depois de um tempo, fui embora olhei para trás e elas continuaram lá. Pensei o quanto de trabalho, nós profissionais da área de alimentos ainda temos pela frente quanto ao estímulo do engajamento da alta direção, desenvolvimento de procedimentos e treinamento eficazes, competência ajustada as responsabilidades e cultura de segurança de alimentos.

Isso só fortalece meu propósito: transformar pessoas pela educação e colaborar para o desenvolvimento de uma cultura onde se faça as coisas certas pela primeira vez e mesmo quando ninguém estiver olhando, não porque é necessário atender uma regra ou um procedimento, mas porque elas entenderão também a relevância das suas atividades para os consumidores e respeito ao trabalho delas mesmas.

E você também sente na pele a insegurança de alimentos diante da falta de cultura de segurança de alimentos? Deixe seus comentários ai!

Por: Natália Lima.


Publicado no site em 6 de maio de 2019