Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos

22 de abril de 2019

CONCEITO

Para falar em Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA), primeiro necessitamos compreender seu conceito, que de acordo com a Vigilância Sanitária significa:

“Doença Transmitida por Alimento (DTA) é síndrome geralmente constituída de anorexia, náuseas, vômitos e/ou diarreia, acompanhada ou não de febre, relacionada à ingestão de alimentos ou água contaminados. Sendo que, sintomas digestivos não são as únicas manifestações, podendo ocorrer afecções extraintestinais em diferentes órgãos, como rins, fígado, sistema nervoso central, dentre outros.”

As DTA podem ser causadas por: bactérias, vírus, parasitas, toxinas, príons, agrotóxicos, substâncias químicas e metais pesados. Elas podem causar surto. E você sabe o que é um surto?

Surto é um episódio em que duas ou mais pessoas apresentam os mesmos sinais/sintomas após ingerir alimentos e/ou água da mesma origem.

CENÁRIO

A ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) vem aumentando de modo significativo em nível mundial. Vários são os fatores que contribuem para a emergência dessas doenças, entre os quais destacam-se:

  • crescente aumento das populações;
  • existência de grupos populacionais vulneráveis ou mais expostos;
  • processo de urbanização desordenado e a necessidade de produção de alimentos em grande escala.

Contribui, ainda, o deficiente controle dos órgãos públicos e privados no tocante à qualidade dos alimentos ofertados às populações. Acrescentam-se outros determinantes para o aumento na incidência das DTA, tais como:

  • maior exposição das populações a alimentos destinados ao pronto consumo coletivo, fast-foods;
  • consumo de alimentos em vias públicas;
  • utilização de novas modalidades de produção, aumento no uso de aditivos e a mudanças de hábitos alimentares, sem deixar de considerar as mudanças ambientais;
  • globalização;
  • facilidades atuais de deslocamento da população, inclusive no nível internacional.

A multiplicidade de agentes causais e as suas associações a alguns dos fatores citados resultam em um número significativo de possibilidades para a ocorrência das DTA, infecções ou intoxicações que podem se apresentar de forma crônica ou aguda, com características de surto ou de casos isolados, com distribuição localizada ou disseminada e com formas clínicas diversas.

NOTIFICAÇÕES

Apesar da comprovada relação de várias doenças com a ingestão de alimentos contaminados, do elevado número de internações hospitalares e da persistência de altos índices de mortalidade infantil por diarreia, em algumas regiões do País pouco se conhece da real magnitude do problema. Isso ocorre devido à precariedade das informações disponíveis, fazendo-se necessária a estruturação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmitidas por Alimentos (VE-DTA), capaz, inclusive, de detectar a introdução de novos patógenos, como Escherichia coli O157:H7 e Salmonella typhimurium DT104.

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO

O perfil epidemiológico de DTA no Brasil do período de 2000 a 2017 apontam no Sudeste o maior número de casos notificados.

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Em relação aos locais que geram as DTA, as residências e restaurantes são os locais mais comuns.

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Em relação aos alimentos envolvidos, não foi possível associar o tipo de alimento relacionado as DTA na maioria dos casos.

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É interessante saber que apenas uma pequena parcela dos surtos notificados possuem seu agente etiológico identificado e, na maioria dos casos, as bactérias são os principais agentes. Sendo a Salmonella, Escherichia Coli e Staphylococcus Aureus os principais agentes de contaminação.

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CONCLUSÃO

Vimos que temos muitas oportunidades de melhorias quando o assunto são as DTA, onde podemos considerar algumas relevantes como, por exemplo, a necessidade de qualificação técnica em promover estudos investigativos mais assertivos para melhor apuração dos dados e, com isso, aumentar a capacidade de agir na causa de um surto. Sem dúvidas, a população e os agentes de saúde também tem um papel fundamental quanto a notificação dos casos, para que se possa ter dados mais reais do cenário das DTA.

O futuro que queremos são menores índices de DTA, refletindo uma visão mais preventiva, incluindo modelos de gestão da segurança de alimentos mais eficazes e com maior engajamento das partes interessadas (população, agentes de saúde e membros da cadeia produtiva de alimentos).

Fonte: Surtos de Doenças Transmitidas no Brasil – Jan/2018 – Ministério da Saúde / Manual Integrado de Vigilância, Prevenção e Controle de Doenças Transmitidas por Alimentos

Por: Natália Lima.