O caso das agulhas nos morangos na Austrália

17 de setembro de 2018

Ontem, 17 de Setembro, saiu uma notícia na mídia à cerca de agulhas de costura encontradas dentro de morangos na Austrália. O assunto é grave, pois trata-se de um tipo de contaminação capaz de causar danos severos a saúde do consumidor e, até mesmo, o óbito. Por ser um assunto importante, resolvi elaborar uma reflexão sobre como o sistema de gestão da segurança de alimentos poderia minimizar o risco da introdução desse perigo nesses alimentos.

Morangos

Leia a notícia na íntegra: https://goo.gl/aHdCLZ

Numa primeira análise, a adição desse perigo físico (a agulha) nos morangos, pode estar relacionada a vandalismo ou sabotagem — chamada também, de contaminação intencional. As medidas de controle para proteger o alimento de situações como essa, devem ser definidas dentro do programa de pré requisito, Food Defense, pois através desse programa é possível conduzir uma análise das ameaças à proteção do alimento, conhecidas como TACCP (Threats Analysis Critical Points). A equipe designada para conduzir o TACCP dentro da organização, deve ser capaz de responder a estas questões: Quem pode querer nos atacar? Como eles podem fazer isso? Onde estamos vulneráveis? Como podemos pará-los?

Uma outra possibilidade a ser considerada, é se foi cometida uma ação de fraude alimentar dentro dessa cadeia produtiva. Em caso de fraude, as agulhas não eram o objeto principal dessa ação, e sim, a adulteração do produto para ganhos econômicos. Uma das formas de mitigar esse risco associado à fraude, é através da aplicação do programa de food fraud, pois permite uma análise do contexto da organização envolvida, assim como, as oportunidades e motivações que levariam a uma fraude. A aplicação de uma ferramenta de análise de vulnerabilidade, denominada VACCP (Vulnerabilities Analysis Critical Points), ajuda a empresa entender melhor seu cenário e priorizar medidas de controles naqueles pontos onde estão vulneráveis a uma fraude.

Agora, se esse perigo foi introduzido por uma condição de processo, se trata de uma contaminação não intencional caracterizada por uma falha na análise, identificação e controle de perigos físicos associados ao produto. Para os riscos da introdução e/ou geração de perigos no processo de fabricação, a aplicação do sistema HACCP (Hazards Analysis Critical Points) permite em todas as etapas, uma análise detalhada dos perigos e através da análise da probabilidade e severidade, identifica os perigos significativos e associa a eles medidas preventivas. Apesar de o objetivo desse texto não ser encontrar a causa real do problema publicado, e sim, nos levar a uma reflexão, considero que essa é a hipótese mais remota, sabendo que não há processos que incluam agulhas na produção de morangos in natura.

Casos graves como esse, reforçam a importância de um Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos, pois ele envolve desde as boas práticas de fabricação à aplicação de ferramentas para análise de risco, além do engajamento da alta direção e, de um modo geral, o controle de todas as partes interessadas, internas e externas, envolvidas na cadeia produtiva.

Em sua opinião, essa foi uma contaminação intencional, pela exposição dos produtos sem controle à indivíduos maliciosos; uma contaminação não intencional, devido a uma falta de controle no processo; ou uma fraude alimentar?

Deixe aqui seu comentário.
Autor: Natália Lima
Diretora Técnica da S2G Soluções em Sistema de Gestão